segunda-feira, 9 de março de 2009

Lazzos Chardonnay 2007 [Argentina]


Pessoal, o DegustEno anda meio paradão, mas como já anunciava o post anterior, não morto. Digamos que o calor, do conotativo ao denotativo, anda impedindo que os post sejam mais frequentes. Não importa, aqui estamos e vamos falar de vinho branco e acessível.

Para quem mora aqui no Rio e compra vinhos para o dia a dia em supermercados, há uma boa opção para o calor dos trópicos. O Chardonnay da bodega Filus em sua linha para o cotidiano, a Lazzos, é um vinho bem legal.

Eu e um amigo matamos 3 [!!!] fim de semana passado. A geladeira estava cheia de cerveja, mas fomos tentados a permanecer nas uvas.

Tem uma coloração de um palha mais claro, e aromas de abacaxi que se desprendem facilmente da taça. Na boca, um vinho bem macio e um pouco ácido. Fiquei imaginando que ele se sairia bem naquele almoço pós praia com um arroz branco, carne assada e uma saladinha de alface.

De qualquer maneira, foi agradável somente com petiscos.

O preço dele costuma ficar em torno de R$ 13,00.

Abração!!!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Não estamos mortos... só sonolentos!

Pessoal, o DegustEno não acabou!
Acontece que estou sem internet em casa e trabalhando muito, sendo assim fiquei sem tempo para atualizar o blog, mas novas anotações já estão sendo feitas e em breve mais vinhos nos aguardam.

Grande abraço e aproveitem o arquivo!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Latitud 33° Malbec 2007 (Argentina)


Tive a honra de ser o convidado do mês de novembro para a escolha do vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs. Quis escolher um vinho fácil de se ver em supermercados para continuar a minha série de vinhos facilmente encontrados em mercados ainda que o seu preço esteja um pouco acima da série que vinha postando.
Contudo, eu o consegui em uma promoção por R$ 15,90 quando seu preço de costume fica por R$ 18,90.

O vinho é produzido pela Bodega Chandon, que tem como "peça" mais identificável o espumante. Também fiquei sabendo (se não estou me confundindo) que o famoso Terrazas de los Andes é da mesma vinícola.

O Latitud 33° é um vinho interessante. Tem a coloração típica dos vinhos do novo mundo, brilhante, bordô ("abrasileirado"), bonito no copo. Bastante aromático, no início seu álcool incomoda um pouco. Mas bem pouco, com alguma decantação ele some. Desde o princípio seus aromas tomam conta dos arredores e pode-se sentir a baunilha sem enjoo (tem acento ou não agora?), algumas ervas, não identificava se era chocolate amargo ou tabaco. No fim pode ser que não seja nenhu dos dois e passou a ter mais sentido uma expressão poética como "um cheiro aconchegante".

Na boca um vinho aveludado, como leve adocicado característico do malbec, de acidez equilibrada que casou muito bem com um macarrão à bolonhesa, e de persistência interessante. Traz a baunilha que a mim não foi enjoativa ainda que eu veja que talvez seja para algumas pessoas.

Acho que é sim um vinho de produção em larga escala. O escolhi sabendo disso. Aqui se avalia vinho por ponto, ou taças, melhor dizendo. Mas acho que dessa vez fará mais sentido utilizar um vinho referência como o Santa Helena ou um reservado Concha y Toro para o avaliar. E sendo assim, posso garantir que sua qualidade é acima desses dois. Seu preço também o é.

Enfim, se você tiver dois ou três reais a mais para investir no vinho da noite, este pode ser melhor opção do que os já supra citados. Ainda que não seja a única opção nessa faixa de preço.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Vinho nacional comemora a desvalorização do real


28/10/2008 - 11h10
Vinho nacional comemora a desvalorização do real

MAURO ZAFALON
da Folha de S.Paulo

Crise é sempre ruim, mas esta pode proporcionar alívio a um setor que vem sendo sufocado nos últimos anos pelo bom desempenho da economia brasileira: o da vitivinicultura. A boa evolução da economia nos últimos anos trouxe um grande volume de dólares para dentro do país, provocando a valorização do real e permitindo a elevação das importações.

Em 2002, quando a moeda norte-americana atingiu R$ 3,80, o vinho importado representava 48,8% do mercado brasileiro. Neste ano, a média de janeiro a agosto indica que os importados representam 76,8% do mercado. No início de agosto, o dólar estava a R$ 1,56.

No ano passado, quando o dólar terminou o ano a R$ 1,77, entraram 57,6 milhões de litros de vinho no país. Mantido o ritmo de importações de 2007, o volume deste ano poderia atingir 70 milhões de litros.

A concorrência ficou mortal para o produto brasileiro. Há registros de importações de vinho a US$ 4,35 por caixa de 12 garrafas, ou seja, US$ 0,36 por unidade (R$ 0,57). Esse valor não paga o custo da garrafa vazia, dizem produtores nacionais. Além disso, outros 15 milhões de garrafas entram no país via contrabando, segundo informações do setor.

Embora o retorno do dólar a patamares superiores a R$ 2 traga alívio e iniba as importações, a viticultura não deixa de ficar apreensiva com a crise, que pode afetar a renda dos consumidores. Afinal, o vinho seria um dos produtos a sair da lista de consumo com a queda da renda familiar.

Preço maior

Se a crise se aprofundar será ruim para o produto nacional, mas pior ainda para o importado. A concorrência do vinho importado ficará comprometida com esse novo patamar do dólar. E perderá exatamente o produto de menor qualidade, já que os vinhos caros sempre terão consumo garantido.

"Quem importa e quiser repassar [a alta do dólar] não vai conseguir vender. Hoje é difícil repassar até a inflação, imagine os 30% a 40% de alta que terão os produtos importados", diz Danilo Cavagni, diretor de relação corporativa da Chandon. Angelo Salton, da Vinícola Salton, diz que essas elevações deverão ficar "próximas de 30% e darão uma ajuda para o setor".

Na avaliação de Salton, mesmo os estoques atuais, comprados com o dólar mais barato, deverão sofrer reajustes até o final do ano. Caso contrário, o importador verá seu capital dilapidado e perderá o poder de novas compras em janeiro.
O comprador do varejo é "frio" e, como trocou o vinho nacional pelos preços mais baratos dos importados, voltará aos produtos brasileiros que, em janeiro, não terão problemas de repor estoques, diz ele.

Ajuda ao exportador

Além de ajudar as vendas nacionais, a elevação do dólar deve facilitar as exportações brasileiras, tornando o produto mais competitivo. Grande parte das empresas brasileiras já faz exportações rotineiras.

"É uma questão cambial e conjuntural", diz Márcio Bonilha, diretor nacional de vendas da Miolo Wine Group. Assim como os importadores foram beneficiados com a queda do dólar, agora é a vez de os nacionais se beneficiarem, acrescenta Bonilha.

Mas essa questão cambial vivida pela indústria do vinho é apenas uma parte do problema. Estudos do setor mostram que o vinho nacional chega à gôndola dos supermercados com carga tributária elevada.

Para Hermes Zanetti, presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Viticultura, Vinhos e Derivados, "seguramente a alta do dólar vai ajudar a frear a inundação do mercado brasileiro por vinhos importados, principalmente os mais baratos".
Atualmente, de cada quatro garrafas de vinho fino vendidas, três vêm de fora. Já o consumo de espumantes mostra exatamente o contrário, com apenas uma importada em cada quatro consumidas.

O excesso de importações de vinho nos últimos anos elevou os estoques nacionais e já complica a recepção de uvas pelas indústrias na próxima safra, diz Zanetti. Se acentuada, essa crise vai ser repassada para 20 mil famílias que cultivam uma média de 2,5 hectares.

O setor certamente terá um alívio com a desvalorização do real, "mas a gangorra do dólar não explica tudo", diz Alem Guerra, diretor comercial da Vinícola Aurora. Além da concorrência do dólar barato, o setor teve um constante aumento de custos, vindo de energia elétrica, encargos sociais e insumos específicos.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/comida/ult10005u461246.shtml

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Como enganar os esnobes



Matéria da revista Época de 6/out/2008

A publicação mais influente do mundo do vinho comete uma gafe ao premiar a carta de um restaurante inexistente – e azeda a credibilidade dos especialistas

O restaurante italiano Osteria L’Intrepido poderia pendurar numa parede o prêmio que ganhou da prestigiosa revista de enologia The Wine Spectator, a mais influente do mundo quando o assunto é vinho. Só que o restaurante não tem parede. Ele nunca existiu. Isso não impediu que a revista o premiasse com o Award of Excellence, reconhecendo as qualidades de sua carta de vinhos – um diferencial que eleva o prestígio e pode incentivar a clientela a provar rótulos mais caros, ainda que pouco conhecidos. A adega fictícia saiu da imaginação do enólogo americano Robin Goldstein. Ele queria pôr à prova os critérios de seleção dos concursos que determinam o sucesso ou o fracasso de vinhos e de restaurantes. “A idéia era desmistificar especialistas e concursos enológicos que ditam o que é melhor para o consumidor”, disse Goldstein em entrevista a ÉPOCA.

Ter conquistado o prêmio já seria motivo suficiente para expor ao ridículo os critérios da Wine Spectator. Mas Goldstein fez mais. Entre os 256 rótulos da premiada carta de vinhos do Osteria L’Intrepido, supostamente situado em Milão, no norte da Itália, havia uma seleção estrategicamente desastrosa. Goldstein escolheu apenas vinhos caros – e condenados pela própria Wine Spectator nos últimos 20 anos. Um Amarone Classico “Gioé”, safra 1993, com preço equivalente a R$ 305, havia sido criticado pela revista por ter “caráter de solvente de tinta e esmalte de unha”. O Cabernet Sauvignon “I Fossaretti”, safra 1995, fora descrito como tendo “gosto metálico e estranho”.

Como a revista caiu na armadilha? O truque de Goldstein foi providenciar um número telefônico em Milão com uma gravação em que o restaurante avisava estar fechado para obras. O enólogo ainda criou um blog para o restaurante e postou comentários falsos em fóruns de enologia. Assim, o L’Intrepido aparecia no buscador Google, mesmo sem existir. Isso bastou para que os críticos da Wine Spectator acreditassem que o restaurante era real. “Não visitamos cada um dos restaurantes que participam de nossa premiação”, afirmou Thomas Matthews, editor-executivo da revista. “Prometemos avaliar a carta de vinhos e, quando recebemos a inscrição, assumimos que o restaurante existe”. Isso não justifica premiar uma carta de vinhos que oferece rótulos com gosto de esmalte de unha e inseticida. Entende-se a gafe ao conhecer a natureza dos prêmios criados pela publicação. Eles surgiram em 1981, quando concursos do tipo eram raridade nos Estados Unidos. De lá para cá, se transformaram num negócio que rende milhões de dólares para a revista.

Cerca de 4.500 restaurantes de todo o mundo se inscreveram no concurso deste ano – e apenas 319 não foram premiados. Cada inscrição custa US$ 250. Só com as candidaturas, a receita ultrapassou US$ 1 milhão. “E, quando você vence, eles ligam oferecendo espaço para anúncio”, diz Goldstein. A polêmica ganhou réplica e tréplica no site da revista e no blog do falso restaurante. “Sim, fomos enganados. Mas esperamos que os amantes de vinhos continuem usando nosso guia para encontrar restaurantes e compartilhar sua paixão pelo vinho”, disse Matthews, em defesa da Wine Spectator. “É contraditório a revista premiar uma carta de baixa qualidade, com vinhos mal avaliados pela própria publicação”, diz Manoel Beato, sommelier do restaurante Fasano e autor do Guia de Vinhos Larousse.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Intis Malbec/Merlot 2007 (Argentina)


Continuando nossa série vinhos baratos e fáceis de achar, vamos viajar para San Juan na Argentina onde podemos encontra o deus do sol, Intis. O vinho é um tributo ao deus que durante séculos foi cultuado na américa do sul, segundo a vinícola. Posso estar errado, mas acho que esse vinho é produzido pela bodega Trapiche. No rótulo não vem a informação, somente o endereço e ao "googlar", me veio o mesmo endereço dessa bodega que acabo de vos falar.

Enfim, deixemos de enrolação e vamos ao vinho.
Gratíssima surpresa, comprada na rede Hortifrutti por R$13,90. Acabo de comprar mais dois e soube que esses são os últimos exemplares da safra por lá. A procura foi muito grande e esgotou.

Esperava algo no padrão Santa Helena, no máximo um Farmus, qualificado há pouco como muito bom. Mas o Intis está pra lá disso.
Se por um lado não sou conhecedor dos melhores vinhos, por outro direi que este é sem dúvida um dos melhores que já tomei.
Coloração grená brilhante escura com lágrimas constantes e longas. Vinho pra tirar foto na taça!
No nariz mostra-se bem frutado, algumas notas adocicadas muito diferentes desse Marcus James que acabamos de postar. Nada enjoativas, pelo contrário. Em nada remetem à baunilha. Eu não sei exatamente como descrever isso, mas se eu pudesse falar em tutti-fruti falaria sem problemas. Ih, já falei. Mas não me achem louco, provem!

Na boca ele confirma os odores. A nota adocicada do Malbec logo na entrada, frutas, acidez equilibradíssima, taninos absolutamente macios. Persistência excelente.
O álcool, apesar dos 13° só se mostra presente após o primeiro sorriso empolgado, sendo assim, tá ótimo!!

Pode ser que daqui há alguns anos tomando e tentando avaliar vinhos eu o ache mediano, mas hoje ele é excelente.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Marcus James Reserva Especial pinotage 2007 (Brasil)


A série de vinhos fáceis e baratos continua e dessa vez é um brazuca quem dá o ar da graça.

O Marcus James é uma linha da vinícola Aurora situada na Serra Gaúcha. Figurinha muito fácil em mercados de todo país, você provavelmente já se acostumou a ver aquele rótulo que é um losango. Mas há algum tempinho a linha está frequentando os supermercados com um rótulo mais bonito de designação "reserva especial". Desde que vi pela primeira vez já desconfiei ao mesmo tempo que tive curiosidade. Por quê?
Por causa das safras. Reserva especial me remete a uma guarda maior do vinho, mas os vinhos que estão aparecendo com esse título são da safra de 2007!!!
Acho que é só uma questão comercial mesmo, até porque seu preço é via de regra o mesmo da garrafa do losango.

Eu resolvi experimentar o pinotage, uva que já foi provada aqui no vinho Two Oceans sul-africano, país símbolo e originário da uva.

Esse Marcus James é na coloração um vinho nem tão brilhoso e meio violeta. Nem tanto quanto um carménère, mas diria que quase lá. Suas lágrimas são constantes e rápidas. Seu teor alcoólico é de modestos 11,5°.
Consequentemente você já deve imaginar que cheiro de álcool ele não tem. E não tem mesmo. Seus odores estão entre o defumado da uva e o tabaco. Mas nem um nem outro foram absolutamente claros para mim. Preciso treinar melhor as narinas! rsrs

Na boca sente-se logo no início o adocicado. O vinho é demi-sec como diz o rótulo e portanto, sabe-se que há alguma adição de açúcar.
Ele não confirma o defumado na boca e nem deixa a persistência que o Two Oceans deixa. Está longe deste último. Praticamente sem a presença dos taninos. É bem leve, mas me enjoou tomar mais de uma taça, talvez por causa desse "adocicado" que apresentou.
Eu não exitaria em usá-lo com uma pessoa que está saindo dos vinhos suaves para os secos. É para o dia-a-dia mesmo. Comprei minha garrafa por R$ 10,90, mas não é difícil vê-lo por R$9 ou R$8 por aí.

Para quem espera um vinho pro cotidiano, ele pode ser classificado com três taças. Mas para quem queria sentir algo de pinotage nele, leva duas taças. Esse é meu caso.

Santa Helena reservado carménère 2006 (Chile)


Continuando a série de vinhos baratos e fáceis de se encontrar em mercado pelo Brasil, resolvi postar esse carménère da conhecida vinícola Santa Helena porque ao comentar o CS/Merlot da mesma alguns comentários à favor desse vinho surgiram até me surpreendendo.

Essa safra 2006 é pior que a de 2005.
Coloração brilhante e violácia como são costume em carménères chilenos, seu cheiro é alcoólico e me incomodou. Sua graduação é de 13°. Mas reconhece-se pouca coisa quando o inalamos. O "quase-fruta" está lá. Bem fraco...

Na boca um vinho "quente" pelo álcool, sem muito gosto e que não inspira nem a terminar a garrafa.

Quero dizer que há vinhos que se sabe não serem fenômenos e que são de dia-a-dia meeeesmo, mas que não são chatos. Esse estava chatíssimo. Como sou entusiasta da uva, seu excesso de defeitos me irritou. A safra 2005 de fato era melhor, mas foi um ano em que a carménère no Chile se deu muito bem.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Santa Carolina Cabernet Sauvignon reservado 2006 (Chile)


Continuando nossa série de vinhos baratos e que se vê em qualquer mercado, vamos hoje degustar um Santa Carolina reservado Cabernet Sauvignon 2006. Pra falar a verdade eu já estou degustando e vou colocar aqui minhas impressões.

Esse vinho só não deve ser mais fácil de achar do que Almadén e Chateau Duvalier.

No copo se mostra um vinho novo, cheio de brilho, quase violeta e tal. Lágrimas grossas e rápidas (13%) não tão constantes.

No nariz é um vinho que se mostra já fraco. Lembram do "quase-cheiro" que já falei uma vez? Pois aqui ele se aplica novamente. Quase-cheiro de frutas. Não dá nem para dizer que é um "fruit-bomb" como gostam de chamar os vinhos do novo mundo. Depois de uns 20 minutos oxigenando começará a sobressair a baunilha e esta predominará. Mas nem essa é forte.

Na boca se mostrou aguado e decepcionou. Taninos modestos, baunilha na língua por uns 30 segundos e só.

É definitivamente um vinho "quase" ou, quase um vinho! rsrsr

Mas gostaria de fazer uma ressalva. A safra 2006 está sofrível. Já tomei outras safras desse mesmo reservado do vale central e apesar de não podermos falar muito dele, estavam bem melhores que esta.

Vai levar duas taças porque tinha como ficar pior, se o álcool estivesse aparente.

sábado, 6 de setembro de 2008

Farmus Carménère 2007 (Chile)


A partir de hoje, durante algum tempo, iremos postar aqui alguns vinhos fáceis de achar e vistos em supermercados Brasil a fora. São vinhos baratos e que estão com alguma frequência no carrinho do vizinho. Muitas vezes são alvos de preconceito sem razão, outras vezes são de baixa qualidade mesmo. O fato é que basta de ir ao supermercado e não saber muita coisa sobre os vinhos que sempre estão lá dando as caras.

As razões dessa idéia são duas, a saber:

- as intermináveis discussões nas comunidades de vinho do Orkut que questionam a qualidade dos mesmos;
- a falta de grana que assola o blogueiro que vos escreve (rsrs)

Começaremos com um vinho que quem mora no Rio já está se acostumando a ver nas prateleiras do supermercado Mundial, o Farmus. Chegaram lá a linha básica que comentaremos hoje, a reserva e a gran reserva sendo esta última a mais cara pela bagatela de R$29,90. Antes de qualquer julgamento vamos ao vinho.

Eu mesmo o julguei até o momento da retirada da rolha. Achei que havia feito mal negócio e tal. A rolha, não tinha nada escrito, cortiça pura.
Mas se vou me decepcionar nessa "série" de vinhos fáceis, não começará agora.

O Farmus vem do vale central, da vinícola Urmeneta e custa aqui pra gente R$ 11,90.
No copo é um vinho com a tipicidade da casta. Tons violáceos, brilhante e escuro. Suas lágrimas são constantes (13%).

No olfato o vinho começa a se revelar. Seu cheiro é ótimo. Álcool não aparente, chocolate amargo, frutas escuras, algo lá no fundo de tostado. Fiquei bastante impressionado porque me lembrava carménères mais caros e de mais nome. Vamos combinar que achar vinho dessa uva barato e bom não é coisa fácil.

Na boca um vinho delicioso de acidez equilibrada e assim que entra na boca já ativa suas papilas centrais. Taninos equilibrados amarrando um pouquinho mas que não incomodará em nada, pelo contrário, vai dar uma ondinha. Persistência muito boa com a confirmação do olfato. Um típico carménère sem maquiagem.

Não vai levar cinco taças porque ainda tem o reserva e o gran reserva e quero acreditar que são melhores ainda. Porém não posso dar três taças como os famosos Santa Helena porque estaria sendo injusto com o Farmus. Ele dá banho no carménère da Santa Helena da mesma faixa de preço (que inclusive são mais caros).

Quatro taças com menção honrosa. Pessoal do Rio, corre pra experimentar!!!!!!
Pra quem quer saber quem está importando ele na sua cidade, ele é trazido pela Artvinho (artvinho.com.br).