sexta-feira, 27 de maio de 2011

Pesquisas atestam: preço e rótulo podem enganar o Sommelier: Nós já sabíamos!!


Aqui no DegustEno você sabe qual a máxima, né?!
Bons vinhos não estão necessáriamente nas garrafas mais caras. Essa sempre foi a filosofia do blog e fica notório quando olhamos para os rótulos aqui postados e seus preços.

Pois bem, leiam essa reportagem do jornal Folha de São Paulo.

A galera "especialista" (sommelier quiçá, formados) submetida a umas pegadinhas científicas, geniais diga-se de passagem, ficou entoando mantras nirvânicos para vinho de mesa só porque estavam engarrafados e etiquetados como grand cru (vinho de excelência)!!
Em outro experimento, um corante que deixou o vinho branco com aparência rosé, SEM ALTERAR O GOSTO, foi o suficiente para as análises gustativas mudarem totalmente.

E mais, quando colocam 3 taças de vinho na frente do especialista onde duas das quais são idênticas, em um terço das tentativas, eles são incapazes de apontar qual a amostra diferente.

Leiam:
Link direto para o jornal: http://www1.folha.uol.com.br/comida/921535-preco-e-rotulo-do-vinho-podem-enganar-sommeliers-dizem-estudos.shtml


A matéria é do articulista Helio SCHWARTSMAN.

A Associação de Brasileira de Sommeliers diz que é isso mesmo. "Ninguém tem coragem de falar mal de um vinho famoso. Somos induzidos, sim". 
É isso amigos, o DegustEno sempre evitou que o papel que dá nome à garrafa fosse mais prazeiroso que o líquido contido nela.
Continuem por aqui.

Saúde!!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Cuvée Bouchard Aîné [França]

Esse "Rouge de France", como indica a garrafa, vem com toda pompa de vinho francês, mas não se esqueça, você está no DegustEno e isso significa que esse vinho cabe no seu bolso.

Vamos primeiro às especificações gerais:
No rótulo diz "sem safra". Isso é comum em vinhos franceses e principalmente os de mesa e mais acessíveis. No entanto, contrariando essa classificação, ele indica os cortes que o compõe. São eles, Grenache, Cisnault, Carigan e Gammay. Duas coisas já se tira daqui, são uvas não tão usuais e isso é legal e espera-se um vinho menos rajásico (palavrinha iogue!) na nossa boca, pois é um corte de várias uvas, o que o abranda via de regra.

Seus 12% de vol. já indicam um vinho mais leve.

Uma vez em um mercado pedi orientação à sommelier sobre este vinho e ela me disse que eu talvez não gostasse pois, pelo que eu estava falando, o vinho me pareceria meio "aguadinho". Não comprei. Mas, tempos depois ganhei esta garrafa.

Não é tão aguado quanto pensei que fosse. Seu aroma é típico de vinho europeu. Mais fechado, menos explosão de frutas, mais balanceado ao nariz. Sabe que tive uma leve impressão do álcool incomodando mesmo depois de algum tempo na taça? Mas nada que o condene.

Como me disse quem me deu, estava guardado havia algum tempo e sua cor indicava isso. Indo do vermelho ao alaranjado nas bordas do líquido.

Aroma de frutas vermelhas, mas meio confuso. Tô sem treino, tô sem treino!!

Na boca, um vinho moderado, levemente tânico, meio... sem personalidade. Não achei muito interessante, apesar de não ter me agredido. Persistência fraca e ácido.

Acredito que essa garrafa pudesse estar com algum defeito. Vale à pena comprar um novo e provar e notar as diferenças.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Como você escolhe seu vinho?



Já não é de hoje que falo que bebemos comerciais. O faço principalmente relacionado à cerveja, onde a marca líder de mercado detém quase que o monopólio do ramo no Brasil alternando a exposição de seus três principais rótulos.

E é de se supor que com o vinho se desse o mesmo. Pois agora, pesquisadores britânicos atestaram isso cientificamente.


"A conclusão, para os pesquisadores da Universidade de Hertfordshire, é que muita gente não consegue distinguir os vinhos pelo paladar e pode estar pagando mais caro apenas pelo rótulo." - reportagem publicada hoje no jornal Folha de São Paulo.

Vai ter um pessoal pulando nas tamancas aí. Obviamente há diferenças entre rótulos mais caros e mais baratos. Mas quem não sabe que um vinho conhecido cobra também por seu nome? E que uma roupa de marca custa mais caro, ou que Antártica é mais caro que Bavária só por causa da marca e muito menos por conta do paladar?

O Degusteno sente-se útil ao continuar a apresentar vinhos de preço acessível ao consumidor que quer beber bem sem pagar mais do que o líquido e seu processo de fabricação honesto.

Leia a reportagem na íntegra:

E você, como escolhe seu vinho?

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Rawen carmenére 2008 [Chile]

Grandes amigos,
espero que tenham tido um natal de muita paz e alegria.
Estamos com a festa de ano novo apontando já no fim da semana, porém, ao invés de postar um espumante, vou colocar aqui outro tinto, carmenére e outra vez chileno. Por quê? Porque eu o achei ótimo e a primeira coisa que me veio à cabeça foi que eu devia contar a vocês. Alguém aí reclamaria em achar ouro todos os dias? Eu não!

Mas para não dizer que não falei de flores, dou a dica. O Espumante da vinícola Aurora, Conde de Foucauld Brut está por R$12,90 no Prezunic. Um espumante honesto e em preço excelente para o fim de ano. Nacional e, lembremos, os espumantes nacionais são, talvez, o que temos de melhor em vinhos.

Voltando ao tinto, hoje falaremos do vinho Rawen da vinícola Ravanal. Uvas do vale do Colchagua.
Aqui no Rio de Janeiro, sua venda é exclusiva da rede Hortifruti e me custou R$ 19,99 (R$20, né?!).

Logo que abri a garrafa entendi que estava diante de um vinho bem produzido. O aroma era explosivo, mas não tinha cheiro de massificação. Frutas vermelhas e pimenta. Sua coloração, diferentes de ouros carmenéres, é um pouco mais branda, no entanto a identidade da uva é mantida ao extremo. Com 13% de álcool, logo que se coloca na taça o álcool incomoda um pouco, mas abranda-se rapidamente dando espaço a aromas mais frescos.

Na boca um tinto pouco tânico e de acidez mediana para baixa. Suave e marcante. Definitivamente, um vinho para o dia-a-dia. Persistência de média para baixa também. Avaliação ruim? De maneira alguma!
Um carmenére de verão, eu diria. Ele não é aguado, sem gosto ou ralo. Mas não é aquele vinho que te deixa suando. Uma solução ótima para o calor carioca e quem não dispensa um tinto mesmo em dias mais quentes.
Seu preço é que podia estar uns reaizinhos mais baixo. Mas está valendo.
Não deixe de provar. Eu, provavelmente o provarei novamente.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Luiz Felipe Edwards carmenere 2009 [Chile]



Olá pessoal, como vão?
Natal chegando e a época é propícia aos vinhos no mundo todo. Mesmo aqui, com todo esse calor, podemos tomar vinhos. "Mas e o calor?", tome um branco, um espumante ou mesmo um rosé. Mas, se onde estiver degustando tiver um ar condicionado, tome tintos também.

E então, gostaram do Globo Repórter sobre vinhos? Foi meio médico-nutricional mas está valendo. É sempre bom ver o vinho sendo propagado em meios populares.

Hoje quero falar de um vinho que sempre quis tomar e sempre adiei. Não sei a razão disso, mas só sei que foi assim, como diria Chicó.

O Luiz Felipe Edwards (LFE) é um chileno popular de qualidade muitíssimo interessante. Está na faixa de preço (R$14,90 - Pão de Açúcar) dos Santa Helena, Santa Carolina, Concha y Toro reservados, mas na minha opinião, é melhor que todos esses. Ele está mais para um Morandé. Lá no mercado, levando acima de 3 garrafas ele saía a R$ 9,90. De graça!
Essa comparação nem sempre surte efeito objetivo, mas é mais para nos posicionarmos quanto à qualidade do produto.

Esse carmenere é típico: olfato denso e fechado de frutas vermelhas silvestres. Um toque de couro e chocolate com tijolo. rs Ri não, é isso mesmo.

Na boca é um vinho potente, de taninos moderados e acidez na medida. Persistência é boa e ficamos com o retrogosto amadeirado na boca.
Frutas, muitas frutas. É bem novo mundo, fruit bomb, mas super equilibrado, sem maquiagem, sem carvalho em excesso.

Deve cair muito bem com guisados, carne de porco, pratos de sabor intenso.
Vale muito à pena aproveitar a promoção.

e menção honrosa!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Tributo Marco Luigi - Touriga Nacional 2008 [Brasil]

Olá amigos!
Hoje estamos aqui para falar de mais um vinho nacional.
Já há algum tempo que eu provo os vinhos Tributo e seus varietais e sempre os achei vinhos bastante honestos.
Hoje vi no mercado este touriga nacional e não resisti.
A touriga nacional é a uva emblemática de Portugal assim como a carménère é a do Chile e a malbec da Argentina.
Há um tempo que leio que empresas portuguesas em associação com vinícolas brasileiras tentam desenvolver cepas portuguesas aqui. E estão se dando bem, podemos afirmar. Vamos tentar deixar as comparações de lado e ver o vinho.

Eu nunca havia provado um varietal desta uva. Os vinhos portugueses a usam bastante, mas não como varietal. O que quero dizer é que não é comum, ou pelo menos não a um preço acessível.

Pois bem, comprei.

R$17,19 (não entendi nada sobre esses R$ 0,19).

Vinho muito bom!

Na aparência um vinho jovem, brilhante, mas de coloração não tão forte como um CS. Diria que a cor dele não é tijolo, grená, rubi... é vinho mesmo!
Lágrimas abundantes, rápidas e constantes. (12% vol.)
No olfato um pouquinho de álcool aparente mas sem incomodar.
Aí temos um olfato composto por amoras, cassis, algo herbáceo bem leve e mentos sabor uva (isso, aquela balinha mesmo).
Um vinho de taninos medianos, eu diria, na medida em que gosto. Sem amarrar muito e persistência excelente.

A acidez dele + taninos me faz imaginar que ele cairia como uma luva em churrascos. Uma picanha, fraldinha, carneiro, capivara, javali. Carnes com alguma gordura e de sabor marcante.

Eu, que nunca havia provado deste varietal português, adorei.

Ah! Vinho de Bento Gonçalves, Vale dos Vinhedos.

P.S.: Ao fundo da imagem a biografia dos The Doors. Ótima, não deixem de ler, bebendo um vinho, claro.

domingo, 15 de agosto de 2010

Almaden merlot 2009 [Brasil]

E a frustração foi tanta com o vinho francês da sexta que hoje (domingo) tive que comprar outra garrafa. Minha mulher sentenciou, "gostei daquele último". Ela se referia exatamente ao último vinho aqui postado antes do Chateau Lacombe, Almaden.CS.

Não vou discorrer sobre tudo que se passou com esse vinho novamente. É só ler dois posts antes desse.

Mas nós ainda não havíamos provado o que havia sido feito do Almaden com a uva que melhor adaptação tem no nosso sul.

Pois bem.
O vinho é bastante interessante, mantém a proposta de um vinho jovem para jovens, esse é o marketing em cima do novo Almaden.
Coloração bem viva, lágrimas abundantes e constantes. Graduação alcoólica em 12,5%. O vinho, segundo indicação do fabricante tem seu ponto alto com 1 1/2 de idade. Não foi o caso. Daqui há 1/2 ano, essa safra deve estar melhor.

Mas encontrei um vinho muito saboroso. Com aroma frutado, menos fechado que o CS, mais aveludado e ácido que este também. Ruim? Claro que não, estava ótimo e me arrependi de não ter comprado outro para hoje mesmo.

A persistência dele ou retrogosto é que poderia ser um pouco melhor. Mas calma lá, né?! Estamos falando de um vinho de custo x benefício para o cotidiano.

R$ 10,90 no Mundial aqui no Rio!!!

Château Lacombe Bourdeaux 2008 [França]

Esse vinho é um AOC francês. Sabe o que quer dizer? É a classificação mais alta de controle de qualidade dado a um vinho lá na terra do "abajour". Significa "Appellation d'origine contrôlée", ou seja, vinhos de designação de origem controlada. Isso, no entanto, não quer dizer muita coisa. 
Posso garantir a vocês que já tomei vinhos de mesa francês melhor que esse. Vai vendo...
Pode ser que meu paladar plebeu não me deixe reconhecer o que é um vinho francês de verdade e tal, mas fato é que não gostei desse vinho ralinho.
Uma mistura de merlot com cabernet franc. 
Álcool em 12%, uma cor pálida e... ops! rolha em perfeito estado! O vinho não estava estragado, ok?!
Na boca, equilibrado como costumam ser os vinhos franceses, mas muito, muito sem expressão. Equilibrado por baixo, digamos assim.
Aromas de frutas que escapam por entre os dentes.
Ah, gostei não.





domingo, 18 de julho de 2010

Almaden cabernet sauvignon 2009 [Brasil]

Olá amigos,

hoje vou falar de um mito. Lembrando, claro, que não necessariamente o mito se refere a um deus ou herói. E este parece ser o caso agora. Mas, se quisermos dar algum tom épico a esse empreendimento, não será tão exagerado.
Pra quê toda essa dramática introdução? Vamos lá...
Quem aqui nunca tomou Almadén?? Quem aqui depois que começou a entender o mínimo que seja de vinhos finos não praticou o esporte de falar mal desse vinho? Aguado, anos 80, de botequim, de merda...
Almadén era por mim usado como chacota quando queria sacanear um amigo que achava esse vinho "bonzinho".

Pois bem. A Miolo comprou a marca, seus vinhedos, colocou um ban-ban-ban pra cuidar dele e o marketing decidiu que, como o próprio líquido, este seria destinado ao público jovem com preço atrativo.
Comprei. Esperava um fruit bomb cheio de carvalho, algo que fosse tragável de 6 em 6 meses. Algo como um Santa helena ou Concha y Toro reservado, sabe como é? Aquele vinho que você pode comprar numa loja de conveniência quando pinta uma reunião de última hora na casa de um amigo e que não te comprometerá tanto caso não seja uma reunião de enólogos.

Uma grata surpresa. O Almadén CS 2009 não é nem de longe um fruit bomb. Nada contra essa categoria de vinhos. Até gosto de vez em quando. Mas não o julgue por isso. Com certa complexidade de aromas, líquido escuro e brilhante (vivo). Aroma muito bom e nada de álcool aparente. Nem decantei o líquido! (12% vol.)
Frutas negras estão em seu gosto, persistência moderada e bem interessante para sua faixa de preço. Eu de fato, não consegui mapear completamente sua paleta de sabores. Acho que porque estive algum tempo sem tomar vinho e certamente o comprarei de novo.

O vinho dispensa a tradicional rolha e vai de screw cap. Moderno como a cara que a empresa quer que o vinho tenha. Estava em perfeito estado de conservação.

Parabéns Miolo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Tempo de vinho!

Queridos enoamigos, a temporada do vinho está chegando para o DegustEno. Sim, porque após uma breve crise de identidade, resolvi que não adianta para nós aqui tomar vinho o ano todo se tem épocas que o calor pede cerveja.
"Mas e aquele papo de vinho de verão, é balela?" Não, não é. Champagne cai muito bem no verão, mas.............
para quem gosta de champagne e eu não sou muito chegado. Nem neles e nem nos vinhos brancos. Pode ser que uma vez ou outra um apareça por aqui por ter me surpreendido ou simplesmente porque tomei e achei legal postar a experiência aqui. Mas não será a regra. Resolvemos que o DegustEno não será um catálogo subjetivo do vinho. 
Vai funcionar como sempre funcionou, sem pressão, com os vinhos que me aparecem (não sairei correndo feito louco atrás de uma garrafa) e que trazem prazer ou não, mas no momento oportuno. Ok?

Para períodos mais quentes, vamos tomar uma cervejinha e para os meus 3  leitores carentes, eu criei um Cerve Já há algum tempo. Um blog sobre cervejas que também não deixa a desejar para o conteúdo daqui. 

Tudo isso para dizer que agora no dia dos namorados será aberto um Errazuriz Cabernet Sauvignon buscado lá noi chile mesmo. Nada de importadora! rs 
O vinho já está há um ano comigo e será agora degustado.

Aguardem!!!


A imagem é de um carmenere, mas vamos provar o CS.