terça-feira, 28 de outubro de 2008

Vinho nacional comemora a desvalorização do real


28/10/2008 - 11h10
Vinho nacional comemora a desvalorização do real

MAURO ZAFALON
da Folha de S.Paulo

Crise é sempre ruim, mas esta pode proporcionar alívio a um setor que vem sendo sufocado nos últimos anos pelo bom desempenho da economia brasileira: o da vitivinicultura. A boa evolução da economia nos últimos anos trouxe um grande volume de dólares para dentro do país, provocando a valorização do real e permitindo a elevação das importações.

Em 2002, quando a moeda norte-americana atingiu R$ 3,80, o vinho importado representava 48,8% do mercado brasileiro. Neste ano, a média de janeiro a agosto indica que os importados representam 76,8% do mercado. No início de agosto, o dólar estava a R$ 1,56.

No ano passado, quando o dólar terminou o ano a R$ 1,77, entraram 57,6 milhões de litros de vinho no país. Mantido o ritmo de importações de 2007, o volume deste ano poderia atingir 70 milhões de litros.

A concorrência ficou mortal para o produto brasileiro. Há registros de importações de vinho a US$ 4,35 por caixa de 12 garrafas, ou seja, US$ 0,36 por unidade (R$ 0,57). Esse valor não paga o custo da garrafa vazia, dizem produtores nacionais. Além disso, outros 15 milhões de garrafas entram no país via contrabando, segundo informações do setor.

Embora o retorno do dólar a patamares superiores a R$ 2 traga alívio e iniba as importações, a viticultura não deixa de ficar apreensiva com a crise, que pode afetar a renda dos consumidores. Afinal, o vinho seria um dos produtos a sair da lista de consumo com a queda da renda familiar.

Preço maior

Se a crise se aprofundar será ruim para o produto nacional, mas pior ainda para o importado. A concorrência do vinho importado ficará comprometida com esse novo patamar do dólar. E perderá exatamente o produto de menor qualidade, já que os vinhos caros sempre terão consumo garantido.

"Quem importa e quiser repassar [a alta do dólar] não vai conseguir vender. Hoje é difícil repassar até a inflação, imagine os 30% a 40% de alta que terão os produtos importados", diz Danilo Cavagni, diretor de relação corporativa da Chandon. Angelo Salton, da Vinícola Salton, diz que essas elevações deverão ficar "próximas de 30% e darão uma ajuda para o setor".

Na avaliação de Salton, mesmo os estoques atuais, comprados com o dólar mais barato, deverão sofrer reajustes até o final do ano. Caso contrário, o importador verá seu capital dilapidado e perderá o poder de novas compras em janeiro.
O comprador do varejo é "frio" e, como trocou o vinho nacional pelos preços mais baratos dos importados, voltará aos produtos brasileiros que, em janeiro, não terão problemas de repor estoques, diz ele.

Ajuda ao exportador

Além de ajudar as vendas nacionais, a elevação do dólar deve facilitar as exportações brasileiras, tornando o produto mais competitivo. Grande parte das empresas brasileiras já faz exportações rotineiras.

"É uma questão cambial e conjuntural", diz Márcio Bonilha, diretor nacional de vendas da Miolo Wine Group. Assim como os importadores foram beneficiados com a queda do dólar, agora é a vez de os nacionais se beneficiarem, acrescenta Bonilha.

Mas essa questão cambial vivida pela indústria do vinho é apenas uma parte do problema. Estudos do setor mostram que o vinho nacional chega à gôndola dos supermercados com carga tributária elevada.

Para Hermes Zanetti, presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Viticultura, Vinhos e Derivados, "seguramente a alta do dólar vai ajudar a frear a inundação do mercado brasileiro por vinhos importados, principalmente os mais baratos".
Atualmente, de cada quatro garrafas de vinho fino vendidas, três vêm de fora. Já o consumo de espumantes mostra exatamente o contrário, com apenas uma importada em cada quatro consumidas.

O excesso de importações de vinho nos últimos anos elevou os estoques nacionais e já complica a recepção de uvas pelas indústrias na próxima safra, diz Zanetti. Se acentuada, essa crise vai ser repassada para 20 mil famílias que cultivam uma média de 2,5 hectares.

O setor certamente terá um alívio com a desvalorização do real, "mas a gangorra do dólar não explica tudo", diz Alem Guerra, diretor comercial da Vinícola Aurora. Além da concorrência do dólar barato, o setor teve um constante aumento de custos, vindo de energia elétrica, encargos sociais e insumos específicos.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/comida/ult10005u461246.shtml

4 comentários:

Avaliador de Vinhos disse...

O concorrente do vinho nacional não são os importados; mas sim o próprio vinho nacional, que, no caso dos melhores,costuma cobrar valor acima do padrão nacional.

Se o vinho nacional bom fosse acessível, o sucesso dos importados da Argentina e do Chile seria bem menor.

Um abraço, confrade!

Vinho para Todos disse...

Confrade, preciso de seu e-mail para meus cadastros. Favor enviá-lo para vinhoparatodos@bol.com.br

Saúde!

Leonardo de Araújo disse...

CONFRARIA BRASILEIRA DE ENOBLOGS
Vou sugerir mais um argentino para 1º de dezembro: Argento Reserva Bonarda 2007.
Pelo menos em Curitiba o tenho encontrado em várias redes de mercados e não me lembro da Confraria ter provado essa uva ainda.
Brindes
Leonardo
vivaovinho.blogspot.com

Pestana disse...

Acredite que a ver a vossa análise do vinho Brasileiro. Fico com vontade de experimentar